Entalo
A minha fome não tinha tamanho
E até confesso que, de tão faminto,
Eu não queria um banquete tacanho...
Pedi fartura, pois, creia, não minto!
E nem um pouco, porém, achei estranho
Conforme, só, chegou um prato sucinto
E, dele, logo já tive meu ganho:
Aquele entalo que, às vezes, eu sinto
E, tal, nem líquido pode dar jeito.
Pensei: quiçá nem livrar-me queria
Daquele troço que estava no peito...
Mas, c’o papel, lápis me prestaria
A tudo aquilo eu pôr fora... tsc! Feito:
Tossi, em um prato vão, poesia.
[L. John]
Com versos sáficos em parte, bom...
ResponderExcluirÉ também um contexto interessante, com exceção ao último verso do soneto, que não entendi muito; parece ser octossílabo/sáfico, que, de certa forma, ficou bem colocado!
Parabéns,
John L.
Obrigado pela visita e pelo comentário!
ExcluirEmbora apareçam alguns versos sáficos em parte, construí esse soneto na estrutura "gaita galega" com tônicas na 2ª, 4ª, 7ª e 10ª sílabas. No último verso talvez eu tenha sido ousado, mas recorri à diérese, além de ignorar uma possível junção.
Com este soneto acho que consegui traduzir bem o contexto de "entalo" que eu passei que marca uma retomada nas produções poéticas.
E, mais uma vez, agradeço!
L. John