domingo, 27 de janeiro de 2013

"1% de inspiração e 99% de transpiração" ou quase isso


Entalo

A minha fome não tinha tamanho
E até confesso que, de tão faminto,
Eu não queria um banquete tacanho...
Pedi fartura, pois, creia, não minto!

E nem um pouco, porém, achei estranho
Conforme, só, chegou um prato sucinto
E, dele, logo já tive meu ganho:
Aquele entalo que, às vezes, eu sinto

E, tal, nem líquido pode dar jeito.
Pensei: quiçá nem livrar-me queria
Daquele troço que estava no peito...

Mas, c’o papel, lápis me prestaria
A tudo aquilo eu pôr fora...  tsc! Feito:
Tossi, em um prato vão, poesia.

[L. John]

2 comentários:

  1. Com versos sáficos em parte, bom...
    É também um contexto interessante, com exceção ao último verso do soneto, que não entendi muito; parece ser octossílabo/sáfico, que, de certa forma, ficou bem colocado!

    Parabéns,

    John L.

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    Respostas
    1. Obrigado pela visita e pelo comentário!

      Embora apareçam alguns versos sáficos em parte, construí esse soneto na estrutura "gaita galega" com tônicas na 2ª, 4ª, 7ª e 10ª sílabas. No último verso talvez eu tenha sido ousado, mas recorri à diérese, além de ignorar uma possível junção.

      Com este soneto acho que consegui traduzir bem o contexto de "entalo" que eu passei que marca uma retomada nas produções poéticas.

      E, mais uma vez, agradeço!

      L. John

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